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Discriminação de mães na ANA. Governo confirma investigação |
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29-Jul-2010 |
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O Ministério do Trabalho e da Segurança Social (MTSS) admite que foi aberto um
processo à empresa ANA Aeroportos de Portugal - tutelada pelo governo - por
violação do Código do Trabalho, ao não atribuir prémios de assiduidade a
trabalhadoras que tirem horas para amamentação.
Segundo a resposta do
MTSS a uma pergunta feita pelo PCP, a empresa já foi notificada por violar as
leis laborais desde 2003. "A empresa foi alvo de um auto de notícia por violação
do disposto no Código do Trabalho, respeitante a situação de discriminação por
não atribuição do prémio às trabalhadoras identificadas na acção inspectiva" da
Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), pode ler-se na resposta do
gabinete de Helena André.
Em causa está o facto de as funcionárias da
ANA, que usaram a dispensa para amamentar nos últimos sete anos, não terem
recebido prémios de assiduidade - cerca de 80 euros por mês - devido ao
regulamento da empresa.
Segundo a ACT está em causa a violação de um
artigo que diz que "a dispensa para consulta pré-natal, amamentação ou aleitação
não determina perda de quaisquer direitos e é considerada como prestação
efectiva de trabalho".
A empresa garante que tem razão e diz que "cumpre
integralmente toda a legislação vigente em Portugal, nomeadamente a legislação
laboral e nunca fez ou fará discriminação de género entre os seus
colaboradores." Ainda não há uma decisão final ao processo que aguarda
deliberação depois da resposta da empresa.
RETROACTIVOS A empresa pode
vir a ser obrigada a pagar os prémios desde 2003. Caso o "tribunal entenda que a
prática é discriminatória, as trabalhadoras podem reclamar os prémios em
atraso", explicou ao i o especialista em direito do trabalho, Benjamim
Mendes. Outro especialista contactado pelo i avança que "pode e deve ter
efeitos retroactivos" dado que "estas ausências são consideradas neutras" para
efeitos de prémios e remunerações.
Também a Comissão para a Igualdade no
Trabalho e no Emprego (CITE) considera que houve uma violação do direito laboral
e que a empresa que gere os aeroportos portugueses incorre numa contra-ordenação
grave.
A "legislação laboral evoluiu no sentido positivo. O prémio é que
não", diz Jorge Monteiro, presidente do Sindicato Democrático dos Trabalhadores
de Aviação e Aeroportos. O sindicato denunciou a situação no final do ano
passado. "As queixas começaram a chegar quando houve alterações na lei para a
protecção da maternidade. Apesar da evolução na protecção, a empresa continua
com uma ordem de há 15 anos", diz o sindicalista.
Os prémios de
assiduidade na ANA existem desde 1993 para premiar a presença efectiva no
trabalho, mas em 1997 a empresa abriu excepções para quem falte devido à morte
de familiares directos (pais, filhos e cônjuge). A empresa admite no entanto que
caso não lhe seja dada razão "agirá em conformidade".
Além da ANA, também
a TAP conheceu recentemente acusações de discriminação. O i avançou que a
transportadora aérea não pagou prémios de desempenho a dez trabalhadoras que
estiveram de baixa por maternidade em 2007.
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